Desumanidades. Racismo na vida, racismo na arte
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| DOROTHY DANDRIDGE. (Reprodução Internet) |
O tema é um escândalo. O tema é o racismo.
Transporte do ódio. Deformidade econômica. Reserva de maldades. Mentalidade de sempre.
O racismo é homicida. Um assassínio entre o desvario fanático e o racionalismo autoritário que afaga o escravismo.
É o abismo aberto da exclusão, da discriminação.
Racismo é exploração.
“De acordo com dados da Pesquisa Mensal do Emprego de 2015, os trabalhadores negros ganharam, em média, 59,2% do rendimento que os brancos ganham, o que também pode ser explicado pela diferença de educação entre esses dois grupos. Além disso, de acordo com um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o percentual de negros assassinados no país é 132% maior que o de brancos”.
A exploração não sai de moda patrocinada pelo racismo.
. “Trabalhadores brancos tiveram em 2019, na Paraíba, um rendimento médio de R$ 2.111, cerca de 54,8% maior que o das pessoas pretas, que foi de R$ 1.363, com uma diferença de R$ 748. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), divulgados pelo Instituto Brasileiro de geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (6).
O escândalo do racismo está na série “Hollywood”, da Netflix. Ecoa o horror americano da escravidão. Chaga moderna. Crime hediondo histórico. De Norte a Sul.
É uma produção irregular, tem momentos de novelão charoposo, com final que brinca de ser feliz para sempre.
Mas é um tirambaço contra o racismo, exibe as vísceras da instituição podre, do preconceito, a violência, o ódio racial, a Ku Klux Klan, a face sem máscara do um establishment cinematográfico que guarda nos armários a depredação radical da essência abstrata livre da pessoa, a subjetividade, desejos e vontades espatifados pelo poder de quem comanda o espetáculo: a grana, a glória e a dor.
A série propõe fantasiosa redenção para protagonistas mesquinhos e hipócritas da indústria ao narrar a produção de filme, inspirado no suicídio de uma aspirante a estrela, cuja protagonista, negra, conquista o Oscar de Melhor Atriz na década de 1940. Uma fantasia.
O fato
A primeira negra a ganhar o Oscar de melhor atriz foi Halle Berry, em 2002, por A Última Ceia, e o primeiro escritor negro a levar a estatueta de roteiro original foi Jordan Peele, apenas em 2018, por Corra!
(WG)
