HOSTILIDADE À IMPRENSA É CONTRA A DEMOCRACIA





 
 


Bolsonaro e seus seguidores detestam a imprensa livre. 


Para eles, a imprensa livre é ruim porque publica as coisas de que eles não gostam.


Para qualquer democracia, imprensa livre é um dos combustíveis da liberdade. Liberdade na democracia significa imprensa publicando o que quer e não o que querem uns em detrimento do direito à informação de outros.


Por detestarem a imprensa livre, agora passaram não só a ofender verbalmente os profissionais como partiram para a agressão física. 

Os casos se multiplicaram nos últimos dias.


O episódio do constrangimento aos que fazem a cobertura do Palácio do Planalto, com ameaças e a cumplicidade das autoridades, representa um duro ataque à liberdade de expressão, à imprensa livre e à democracia no Brasil. 

  

Imprensa livre é o exercício do direito constitucional de praticar a difusão jornalística dos fatos - com objetivos comerciais ou não -  relativos à agenda da sociedade em seus múltiplos aspectos, espaços e dinâmicas. 


Na democracia, isso pode ocorrer através de empresas legalmente constituídas, de instituições de caráter público ou privado a exemplo de entes estatais, sindicatos, associações e similares, e de entes legais do tipo ONGs, OSCIPs, o chamado Terceiro Setor. 


Na democracia da sociedade de mercado, da liberdade de expressão e do direito à informação, a mídia concorrencial, empresas que integram a indústria da comunicação e que se mantêm a partir da audiência,  obrigam-se por tradição a exercerem uma função de controle da qualidade dos serviços públicos financiados com os recursos dos contribuintes.


É um acordo tácito: quem consome a notícia - nem sempre pagando diretamente por ela como acontece nos casos de TVs por assinatura, jornais impressos e revistas - espera, do meio que o informa, veracidade. 


Esta veracidade é uma defesa contra desvios inibidores da plenitude da cidadania e do uso adequado da verba pública. Cidadania e verba pública sintetizam o Estado e o Estado democrático de direito constitucionalmente orientados que pressupõem imprensa livre, liberdade de expressão com incontornável direito à crítica.


As denúncias jornalísticas, o direito à crítica ao mal feito, sempre incomodaram, continua a incomodar, quem se acha dono do poder, como no caso do presidente Bolsonaro, que se acha, e age como se fosse, acima da Constituição.

 

O discurso de ódio à imprensa do presidente da República agravou e acirrou o descredenciamento da prática do jornalismo crítico e investigativo, o que também é uma bandeira de parte substancial da esquerda - Lula quis expulsar o correspondente do jornal The New York Times do País por ter publicado reportagem que o desagradou -, e chegamos ao ponto de fanáticos políticos partirem para o apedrejamento verbal - já houve quem propusesse apedrejar de verdade - de repórteres que fazem a cobertura do Palácio do Planalto. 


Com Bolsonaro e seus Milistérios a democracia no Brasil está sob fortíssimo ataque.


(WG)