ÔNIX NA ARAPUAN. O DITO PELO NÃO DITO
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| EQUIPE ARAPUAN VERDADE |
Muito boa a janela nacional que o jornalismo da rádio Arapuan abriu para os seus ouvintes paraibanos ao transmitir hoje à tarde (19), no programa Rádio Verdade, entrevista com o ministro da Cidadania Ônix Lorenzoni.
O conteúdo divulgado, no entanto, foi prejudicado por ruídos técnicos.
Faltou maior simetria (a correspondência, a concordância) que o jornalismo deve apresentar entre aquilo que tematiza e recorta para favorecer a consciência crítica de seu público (a pauta, os temas em voga a serem destacados, as perguntas tridimensionais (de onde, como agora, o que pode vir) no caso de entrevistas, a conjuntura em que as coisas acontecem, cenários possíveis e perspectivas que o assunto oferece) e a necessidade de esclarecimento da população sobre temas cruciais da realidade (os fatos da agenda e a relevância de sua estratégia) social e política do País.
Digo essas coisas com o respeito da solidariedade de quem compreende o processo difícil da produção, e de ouvinte assíduo que ousa se posicionar criticamente num blog.
FALSO DILEMA
No caso da agenda social relativa à pandemia de Covid-19, a Arapuan, na entrevista, contrapôs claramente, ao perguntar a opinião do ministro, a atitude de gestores públicos que priorizam o isolamento social contra a propagação do vírus e a defesa do pleno funcionamento dos postos de trabalho feita pelo presidente Bolsonaro e empresários.
Fez isso como se as posições fossem excludentes.
O que ficou claro para os ouvintes a partir da condução da entrevista foi: os gestores públicos, personalidades a exemplo do governador da Paraíba João Azevedo e do prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo, por serem a favor do isolamento e atuarem legalmente neste sentido, estão contra o trabalho, o emprego, a produtividade, o lucro e o desenvolvimento.
Na verdade, este é um falso dilema.
Estar a favor da vida é ficar a favor da economia.
Tudo não passa do ângulo de observação do processo, e da visão de mundo que a observação propicia.
A visão dos gestores converge com o princípio constitucional brasileiro do respeito à dignidade da pessoa humana que privilegia a proteção à vida perante colapsos sociais a exemplo desse mundial ocasionado pelo coronavírus.
Pessoas saudáveis têm forças para mover os negócios, para fazer a economia acontecer.
A visão de quem defende o negócio em primeiro lugar, o econômico em detrimento do sócio-moral protetivo, opera no âmbito do fortalecimento de anacrônico darwinismo social: o mais apto há de sobreviver na guerra contra o vírus.
Argumentam que o isolamento deve ficar restrito aos grupos de risco.
Mas é óbvio que o adoecimento desativa o posto de trabalho.
Ao mesmo tempo, postos de trabalho ativos, como vem ocorrendo - alimentos, saúde presencial, medicamentos, abastecimento, transporte seletivo, serviços essenciais - favorecem a saúde geral da sociedade.
Ao estabelecer a dicotomia saúde ou trabalho, o jornalismo reduziu seu poder informativo.
O CENTRÃO FOI ESQUECIDO
A omissão foi o silêncio sobre o loteamento de cargos que o Governo Bolsonaro está fazendo agora nesta aproximação com o Centrão.
Trata-se do mais explícito, expressivo e fundamental recuo do presidente, e consequentemente do Governo, diante do discurso-promessa de campanha no sentido de que não haveria toma-lá-dá-cá, as negociatas da velha política, na condução da agenda do Palácio do Planalto.
Duas falhas menores num jornalismo maior merecedor de aplauso.
Amanhã, sintonizemos novamente. O jornalismo da Arapuan merece.
