SIVUCA: OS 90 ANOS DO GÊNIO DA MÚSICA UNIVERSAL
Sivuca faria 90 anos nesta terça-feira.
O genial artista paraibano, nascido a 26 de maio de 1930, nos deixou em 2016.
Ainda não deixamos de lamentar a perda.
Foi alguém através de quem a música se expressava.
Não era ele que fazia música.
A música foi quem o fez. Sivuca, microfone, instrumento, expressão, razão e emoção da musicalidade total.
Assistir a uma apresentação do mestre era um espetáculo de múltiplas dimensões, perdoem a afirmação batida.
Mas é a pura verdade.
Ele foi um virtuose pilotando, acariciando, manejando cordas e teclados.
Sivuca, o compositor poeta criando com perfeição entre o lirismo regional, a escala modal nordestina, e as técnicas expandidas e experimentais da escala cromática com suas infindáveis possibilidades.
Os arcanos da improvisação fizeram morada no espírito do maestro, letrista, melodista e intérprete.
Para orgulho e glória da música paraibana.
E da música universal.
Para todos os tempos.
(WG)
UM PERFIL
Talento precoce, aos nove anos já animava feiras e festas populares pelo interior da Paraíba, onde nasceu em 1930, na cidade de Itabaiana.
Em 1945, se inscreveu num programa de calouros da Rádio Clube de Pernambuco, em Recife, aos 15 anos, tocando Tico-Tico no Fubá, de Zequinha de Abreu, música que gravaria, anos depois, em seu primeiro disco.
Foi selecionado pelo maestro Nelson Ferreira, que o indicou para tocar em um programa da Rádio do dia seguinte, lhe batizando com o codinome Sivuca. Esse foi seu primeiro passo para a conquista do mercado fonográfico nacional.
Foi na Rádio Clube de Pernambuco, em 1946, que Sivuca conheceu Luiz Gonzaga, que ofereceu um contrato de trabalho na Rádio Nacional.
Na época, ele não pôde afastar-se do Recife por ter compromisso assinado com a Rádio Clube. Estudou harmonia com o maestro Guerra e, quatro anos depois através da cantora Carmélia Alves, estreou na Rádio Record, em São Paulo, com a grande Orquestra Record, dirigida pelo maestro Gabriel Migliori.
Seu primeiro grande sucesso, Adeus, Maria Fulô, foi lançado em 1950 e regravado numa versão psicodélica pelos Mutantes nos anos 60.
Em São Paulo trabalhou em dezenas de programas de rádio e foi do elenco fixo da TV Tupi de 1955 a 1959. Em 1958, foi representar o Brasil na Europa, junto com músicos como Abel Ferreira e o Trio Iraquitã. Morou quatro anos em Paris, de 1960 a 1964 e, em 1965, já estava nos Estados Unidos para integrar, como guitarrista, o conjunto de Miriam Makeba, famosa pela gravação de Pata Pata. Com ela viajou pela África, Europa e Ásia. Durante mais de dez anos acompanhou músicos de todos os estilos, e dirigiu musicais nos EUA.
Em 1975 voltou ao Brasil, quando gravou Sivuca e Rosinha de Valença. Também compositor, é auto de clássicos como Feira de Mangaio, com a mulher Glorinha Gadelha, sucesso na voz de Clara Nunes. Gravou com os gaitistas Toots Thielemans , Rildo Hora e interpretou Pixinguinha, Luperce Miranda e Bach.
Sivuca era um músico revolucionário para os padrões das décadas de 50 e até poucos dias, era um dos mais talentosos músicos em atividade no mundo. (JERÚSIA ARRUDA)
