LGBT e a mente medieval. O pensamento prisioneiro busca aprisionar



Nas redes sociais, um médico afirma o absurdo: homossexualismo é um “defeito genético”. Quem leu, compreendeu a afirmação no sentido de adoecimento; de um tipo de doença mental. 

Um pensamento pra lá de medieval quanto aos referenciais obscuros dos quais emerge, entre os quais está o “pecado”. Argumentam também sobre “anormalidade”.  

Houve uma saudável rejeição a essa forma doentia de encarar os fatos da vida.

Mas muita gente ainda continua achando isso. 

Na imprensa nacional, me informo sobre uma proibição do Ministério da Saúde a homossexuais de doarem sangue (as pessoas devem se submeter a uma quarentena). 

Proibição estabelecida em 2013, e atualizada com o mesmo sentido em fevereiro de 2016, mas considerada atualmente ilegal pelo STF. 

Mesmo assim,  foi mantida recentemente pela Anvisa. Apesar de o Supremo se manifestar contra. Uma decisão apropriada para essa era Bolsonaro homofóbica autoritária. 

Trata-se de uma medida preconceituosa. A qualquer tempo. Sob qualquer ideologia.

É o Estado estigmatizando o indivíduo.

Suprimindo a esmo direitos ao exercício da vida civil.

O Estado bloqueia o fluxo do gesto moral mantenedor do sentido de comunidade. Além de ser um incentivo à violência psíquica e física.

Faz isso sob a justificativa de que pessoas homossexuais estariam mais propensas a transmitir certas doenças.

O lógico, o justo e o certo nessa questão: qualquer doação de sangue deve ser submetida a testes de segurança por razões óbvias. Quem recebe não pode correr riscos de contaminação. 

O homossexualismo não é uma doença. Ponto. 

As cadeias do preconceito continuam, no entanto, a reproduzí-lo nos corações e mentes dos aprisionados por essa mentalidade tacanha. 

Os filtros de inteligência da história esclareceram: homossexualismo é só uma forma, diferente da registrada entre a maioria das pessoas, mas uma forma de expressão da sexualidade.

É como o fato de  alguém ser ruivo. Ou canhoto. 

Relembrando um absurdo histórico injustificado: os ruivos já foram perseguidos e até mortos pelo fato de terem o cabelo vermelho.

Os canhotos já amargaram destino semelhante. 

A comunidade LGBT enfrenta preconceito apesar de uma legislação vigente que combate práticas discriminatórias. 

A discriminação contra pessoas gays é mortal. 

Milhares de pessoas no mundo são mortas devido a esta condição natural da espécie: ser gay.

Situação que não podemos aceitar. 


(WG)

 

    


Uma trajetória histórica


Os registros arqueológicos mais antigos onde interpreta-se uma conotação homoerótica apontam para 12.000 A.C. 

Civilizações antigas do mediterrâneo (Europa Meridional) como a Mesopotâmia, o Egito antigo e a Grécia Helênica têm registros históricos de períodos onde a homossexualidade era retratada em cerâmica, escultura e pinturas. 

Entende-se que em vários períodos da história a homossexualidade era admitida em várias civilizações.


Veja a Legislação sobre pessoas LGBT no mundo.


Conheça este estudo: A homossexualidade segundo a ótica de Foucault