SARA WINTER - JUVENTUDE PERDIDA ENTRE ALIENAÇÃO E ÓDIO COMO DISCURSO POLÍTICO



A forma com que a ativista de ultradireita Sara Winter se dirige ao ministro do STF Alexandre de Moraes no vídeo que contribuiu para levá-la à prisão é a explicitação do ódio como ferramenta política de mobilização e persuasão. 


Com Sara, o ódio se concretiza quando ela propaga ideias intolerantes. É o caso da negação da democracia como espaço positivo para o exercício da política e da cidadania, e da propaganda de golpe militar e dissolução de instituições republicanas. Ela se diz líder de um agrupamento armado, o 300 do Brasil, responsável por atos antidemocráticos.


 O perfil da militante do extremismo (quando se dizia feminista de esquerda e anti-religião, Sara ostentava o mesmo discurso extremista que dirige, agora de direita e religiosa praticante que pediu perdão aos cristãos, contra autoridades e personalidades públicas brasileiras) é revelador de como se dá seu engajamento político e social.


É estranho dizer, mas afirmo: ela radicaliza o radicalismo - para mim a imagem que fica de sua atuação é a de um palito de fósforo em combustão. Lembro, porém, que para incendiar uma casa basta a chama de um fósforo.


Ela age num espaço de consciência que a leva da extrema esquerda à extrema direita como se tal movimento fosse apenas uma questão de intensidade na defesa do que professa e pratica, e não a expressão de uma diferença qualitativa relacionada a aspectos como liberdades públicas e liberdade individual, igualdade, participação social perante as leis e princípios universais como o de direitos humanos.


Lembro de um fato revelador: não faz muito tempo e Sara, ainda feminista, castrou um boneco em manifestação no Rio de Janeiro, e este boneco simbolizava Bolsonaro.


Agora, Sara é uma das mais ferrenhas defensoras do presidente o qual “castrou” em praça pública em grande apelo cenográfico de intenção midiática. 


Ao nível da formação da personalidade, temos a mente errática de alguém dominado pela ânsia da fama, em busca de referenciais de grupo e incapaz de se manter coerente a um conjunto de ideias. 

O irmão de Sara Geromini, o nome real da jovem processada por autoridades brasileiras, Diego Giromini, disse à repórter Ana Mendonça, do jornal “O Estado de Minas”, que ela “é uma sociopata”. “E disse que ela compartilha da mesma ‘cabeça’ da assassina Suzane Von Richthofen”, registrou a repórter nesta segunda-feira (15).

  

Na perspectiva de um protagonismo que ela pretende alcançar, a prisão é uma mão na roda. O acirramento da mobilização de direita no país, ativado por conjuntura internacional conservadora recheada de preconceito e autoritarismos, é bem provável que os direitistas elejam Sara para um cargo político qualquer. 


Os arroubos fascistoides da era Bolsonaro são capazes de tatuar essa figura bizarra na história do parlamento brasileiro. Uma pena. 


(WG)